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Que queriam nas nossas montanhas esses homens do norte ? Porque vieram turvar a nossa paz ? Deus quando fez as montanhas, quiz que as não devassassem os homens. Mas os rochedos, caem rodando, esmagam as tropas. O sangue cae em torrentes, os bocados de carne palpitam. Oh ! quanto 0880 partido ! Que mar de sangue !

VI

Fujam! Fujam! os que ainda teem forças e cavalos,
Foje, rei Carlos Magno, com tua penna preta e tua capa encargada ;
Teu amado sobrinho, o bravo Roldão, jaz morto lá em baixo ;
A sua valentia de nada lhe serviu,
E agora, Euskaldunas, deixemos esses rochedos,
Desçamos depressa, lancemos os 106808 dardos contra os que fojem.

VII

Fojem ! Fojem ! Onde está, então, aquele bosque de lanças ? Onde as bandeiras de todas as cores que no meio d'elas se avistavam ? Já não dão reflexos as suas armas cobertas de sangue. Quantos são ? Rapaz conta os bem. Vinte, dezanove, dezoito, dezasete, dezassels, quinze, quatorze, treze, Doze, onze, dez, nove, oito, sete, seis, ciuco, quatro, tres, dois, um.

VIII

Um. Já nem um se rê!... Tudo se acabou. Echeco-jauna, podes voltar para a tua casa com o teu cão. Para abraçar tua esposa e teus filhos, Para limpar as setas e guarda-las em seus cornos de bufalo, o dormir sobre elas. De noite as aguias virão devorar esses bocados de carne esmagados, E esses 08808 alvejarão abi por toda a eternidade.

Nota VI. Poesia galaica (pag. 481). — Como trecho escolhido d'esta moderna literatura reproduzimos a bela composição de Curros Enriques: 0 Gueiteiro. Muitas outras iguaes e mesmo superiores mereciam ser citadas aqui, só ha dificuldade na escolha, mas entre todas damos a preferencia a esta pelo caracter local de que está revestida:

Dendesd'o Lérez lixeiro
As veigas qu’o Miño esmalta
Non houbo n'o mundo enteiro
Mais arrogante gueiteiro
Qu'o gueiteiro de Penalta.

Sempre retorcend' o bozo,
Erguida sempr' a cabeza,
Daba de miral-o gozo.
Era un mociño... que mozo!
Era unha 1 peza... que peza !

Depois do tempo pasado
Pasado pra non volver,
Com'on profeta inspirado
Inda m'o parece ver
Na festa d'o San Trocado.

Calzon curto, alta monteira. 2
Verde faixa, albo chaleque
Y o pano na faltriqueira,
Sempre na gaita ira
Levaba dourado fleque.

Non honb'home máis cumprido 3
No mundo, de banda à banda;
Nem rapaz mais espilido, o
Con mais riquesa vestido,
Nin de condicion mais branda.

1

Oh n’esta palavra serve apenas para separar a primeira silaba da segunda.

Monteira, é a tradicional gorra galega, hoje já pouco usada.

Cumprido delicado, amavel. (Do castelhano cumplido acção obsequiosa, urbanidade).

Espilido = expedito.

3

Prás festas e romarias
Chamado, todol-os dias
Topábase donde queira,
Anque por certas porfias
Solo tocaba a muiñeira. 1

Pois, como poucos teimado
Cand’unha venta lhe pega,
Xura que, pr'o seu agrado,
Non se ten ind'enventado
Música como a gallega.

Neno er'eu cando el vivia,
Mas non-o podo esquecer.
O qu'él na gaita sabia!
O qu'él c'os dedos podia
N'aquel punteiro faguer !

Cando nas festas maores
Era esperado o gueiteiro,
Botábanll'as nenas frores
Ledas copras os cantores,
Foguetes o fogueteiro,

Traz d'el, en longa riola,
Da gaita o compás levando,
Con infernal batayola,
Iban corrend'e choutando
Os rapaciños da escola.

Nunca se puido avriguar,
Vendo-lla repinicar,
Por qué, o son da gaita ouindo
Cantos bailaban sorrindo,
Acababan por chorar.

Mais cando el no turreiro,
Cal n'a trébede a Sibila
Pegava o pio primeiro,
Daban ó vento o sombreiro
Todol-os mozos da vila.

1

Muiñeira : aria essencialmente galaica a que, por ter esse caracter regional, os castelhanos chamam gallegada.

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Dixeran que esmorecida
De door a Patria nosa,
Azoutada, esrarnecida,
Chamaha, outra Nay chorosa,
Os fillinos da sua vida...

Y era verdá. Mal pocada!
Contr'on penedo amarrada,
Crabad 'un puñal no seo,
N'aquela gaita lembrada
Galicia era un Promoteo.

Un Promoteo cantando
Eternas melanconías;
Sempr'un consolo agardando
E sempr'as bagoas chorando
Do desdichado Macias.

Por eso, cand'à tocar
Se puña o gueiteiro lindo
Cantos viñan pra bailar,
S'escomezaban sorrindo,
Acababan por chorar.

Por eso en vilas y aldeas
Por xentes proprias y alleas
Era aquel home estimado,
E
por

todos saudado En camiños e vereas.

Por eso, dond'èl chegaba
Dábanlle citas d’amores
As mozas por qu'èl toleaba
E sempr'á mesa xantaba
Dos abades e priores.

Que dend'o Lérez lixeiro
As veigas qu’o Miño esmalta,
Non houbo n'o mundo enteiro
Mais arrogante gueiteiro
Qu'o gueiteiro de Penalta.

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